MUSGO NA CALÇADA



O musgo aproveitou o tempo chuvoso e a umidade sob a copa de uma árvore pra mostrar-se em verde viçoso, dando vida ao passeio público. Aquele mosaico vivo, exposto às solas de uma gente que passava indiferente, parecia pedir para ser fotografado.


Antes de publicar a foto, intimei o amigo poeta Rezende num e-mail curto e instigador: “E então... há poesia na foto que te mando agora?” A resposta veio sem demora. Estes versos que reproduzo a seguir:



não vi a pequena folha amarela


bailar no ar desde a copa alta


até o pouso leve na úmida calçada


mas colho poesia na essência dela


cismando que ainda nos falta


muito para convencer a “manada”



imagino com quanta lixa de salto


de passante medonho e atordoado


gastou-se a superfície do chão ladrilhado


e quantos não notaram (mesmo do alto)


este mosaico frágil e, sobretudo,


avesso a tanto rosto mudo



no rés-do-chão ou numa simples fachada


quanta lição natural desperdiçada!


é mesmo devagar que o musgo medra


enfeitando as brechas do ladrilho


num segredo de entranha de pedra


eternizado por teu olhar de andarilho




Agora, foto e versos estão na roda, como se diz.

DEPOIS DA CHUVA, NA VARANDA

 

 

Tem chovido bastante por aqui. Enquanto isso, leio Paulo Leminski e publico uns versos bem ao seu estilo.

Fotopoema: gotas em arame liso / Tom Damatta e Rezende

PRA COMEÇAR



"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...


Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,


Porque eu sou do tamanho do que vejo


E não do tamanho da minha altura...



Nas cidades a vida é mais pequena


Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.


Nas cidades as grandes casas fecham a vista à chave,


Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,


Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos podem dar,


E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver."



FERNANDO PESSOA



Passo a publicar uma série de fotos que tenho produzido. Estou numa fazenda, longe do cotidiano das cidades, mas não longe das tecnologias. O mundo é mesmo muito pequeno.


Espero sensibilizar pessoas com o que tenho aprendido por aqui, principalmente vendo e sentindo de perto a beleza das pequenas coisas, mesmo as mais frágeis e simples, mesmo as de vida efêmera, como esta flor que encontrei no mato.


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